Entrevistas

PN ENTREVISTA: FLÁVIA PEREIRA & A PÁSCOA SEM CHOCOLATE

A entrevista de hoje, não está boa, ela está maravilhosa. A Flávia, além de paraquedista (!), mãe da Catharina, Empreendedora é Educadora Parental e comanda o Instagram e Blog chamado “Pais ajudam Pais”, que é incrível! Cheio de conteúdo relevante da área.

Eu acho que nada como a experiência contada, não é? Mais do que teorias o que vivemos na prática realmente dá o sumo do que a gente é. A Flávia é dessas pessoas inteiras que tive o prazer de conhecer e conviver um pouquinho no último ano. Cheia de verdade em cada fibra de tudo que ela faz! Vamos ler sobre o sentido da Páscoa para ela e sua família? Vem comigo que te garanto aprender um pouco!!!

1) Vamos falar de PÁSCOA! Como está sendo essa época para ti? Quais simbolismos vêm à tona?

Bom, primeiro eu tento resgatar as coisas em mim! Para que seja verdade para a criança, para que ela realmente sinta ela precisa ser verdadeira em mim. Pra mim a Páscoa no momento está sendo um recolher. Neste ano é um fechamento de ciclos, deixar morrer várias coisas que não fazem mais sentido ou que simplesmente encerraram na minha vida. E tá sendo um momento onde eu estou me recolhendo, ficando mais quieta, pensando nas amizades e em como elas tem me nutrido, o que eu estou dedicando o meu tempo, a minha rotina e pra que eu consiga realmente me cercar de coisas que façam sentido pra mim. E pra isso eu preciso como a borboleta me colocar no meu casulo um pouquinho, observar tudo, deixar morrer várias coisas em mim para que floresçam de outra forma.

 

2) Somos engolidos pela rotina, então as vezes vamos pensar em Páscoa só na véspera! É assim pra vocês?

Não. A Páscoa para mim não é pensar só na véspera, é todo um processo. Tanto de músicas, como de histórias como esse recolhimento, que acho muito necessário. Eu comecei hoje a olhar minhas amizades de forma diferente, pra como eu organizo a minha rotina e a minha casa de forma diferente… Então pra mim, é um processo muito mais interno do que essa coisa superficial do mundo moderno de querer que seja algo externo: de comprar algo, fazer algo…

 

3) A Catharina entende? Pergunta sobre?

A Catharina entende a Páscoa como um processo do renascer, do viver. E de forma muito lúdica! Na verdade, a gente começou a entender que estava refletindo nela quando ela começou a levantar questionamentos sobre a morte. E como a morte é um tabu hoje em dia né? E a gente falou muito sobre a morte com ela porque ela trouxe. E quando é verdadeiro na gente, a criança sente. “A lagarta vai morrer?” Vai. “E depois o que acontece com a lagarta?” – Ela se transforma numa borboleta! Assim como muitas coisas que em nós morrem.

Ela também me perguntou do ovo, o que era o ovo. O ovo é tudo que tem em nós, filha, é um mistério. Tudo pode renascer através do ovo e a gente não sabe o que vai nascer. E muitas vezes a gente não sabe mesmo e essa é a preciosidade que há em nós!

Então procuramos explicar dessa forma bem lúdica pra ela, por exemplo, com as músicas como a da lagarta!

“Lagarta corre pelo chão,

comendo folhinhas de montão.

Come, come não para não! “

 

4) Lindo! E agora uma bem curiosa : a Páscoa sem chocolate! Como é isso?

Então, Páscoa sem chocolate e sem consumismo é até curioso né?! rs Porque a Catharina passa pelo ovo de Páscoa e ela não sabe o que é o ovo de páscoa do mercado. A gente até brincou, porque nós estávamos em viagem e ela viu os ovos em Pomerode e lá ela ganhou um bem pequeno e ela comeu e tudo bem. Mas há duas semanas atrás estávamos no mercado e ela apaixonada pelo saquinho de cenoura em miniatura para comer como o  coelhinho “que pula pra frente, pula pra trás. Comeu umas cenouras e ficou forte demais!” – isso ficou muito mais forte pra ela do que o ovo de páscoa que é vendido no mercado de forma caríssima!

Mas o próprio simbolismo do chocolate agora começou a existir aqui em casa mas de forma muito simples, a gente derrete, a gente vai colocar numa forminha. E aqui em casa a gente tem o prazer do doce, nos sábados, de forma equilibrada e saudável!

 

Para quem quer conhecer o trabalho da Flávia:

Instagram: @pais.ajudam.pais

Site: https://www.paisajudampais.com.br/

18 abr 19
Entrevistas

MÃES QUE INSPIRAM!

E na semana do Dia das Mães teve programação mais que especial nas nossas redes sociais!

Escolhi 5 mães inspiradoras – cada uma delas trouxe uma temática PAIXÃO, CRIATIVIDADE, GENEROSIDADE, LEVEZA, RESPEITO! Tudo isso para podermos compartilhar o supra sumo desses valores tão importantes.

Como diz o ditado “As mulheres são como as águas, crescem quando se encontram!” Por isso convido você a ler cada uma dessas respostas e pensar também como inspirar esses valores na sua casa.

As entrevistas completas estão no Instagram e na nossa FanPage!

 

29 maio 18
Entrevistas, Escolhas

MATERNIDADE E CARREIRA: IRENE NAGASHIMA

Nasce um bebê e uma série de programas rotineiros das novas mães ficam de escanteio. Pelo menos por um tempo! Ir ver um filme com toda paciência do mundo já não cabe mais no dia-a-dia dessa mãe.

Pensando nessa demanda  surgiu o Cine Materna! Eu conversei um pouquinho com a Irene, criadora disto tudo. Querendo saber como aconteceu o Cine na vida dela… Vamos ver?

PN – Me fala um pouco do projeto, e como que o CineMaterna surgiu na tua vida!

O Cine Materna surgiu de uma necessidade pessoal minha, eu sou mega cinéfila. Eu vou ao cinema duas, três vezes por semana e estava com um bebê de cinco meses em casa. Então, imagina! Cinco meses sem ir ao cinema. E estava desesperada, rs! E um dia consegui deixar meu filho com uma cuidadora, fui ao cinema do lado de casa. Mas passadas aquelas duas horas lá, saí correndo para casa! Claro que não tinha acontecido nada com o bebê, rs. Mas a tensão foi grande.

Depois disso, eu desabafei em um grupo virtual de mães, e uma delas deu essa idéia – porque não tentamos ir em uma sessão com os bebês? Então encontramos uma sessão durante a semana, a tarde, em um horário que a gente não tinha nada para fazer, escolhemos um filme – ficamos felizes da vida de ser um filme para nós! E saindo de lá  ainda fomos em um café bater papo e ficamos quatro horas conversando! rs. . E foi uma coisa deliciosa, de nos encontrarmos, dos bebês entrarem em contato. Foi tão bom que decidimos fazer isso toda a semana.

PN – E como esses encontros passaram de algo entre amigas para o Cine Materna que é hoje? 

Eu apresentei para uma rede de cinemas, para termos uma sessão diferente e naquelas condições de sala: a luz um pouco acesa, um som mais baixo, um ar condicionado que é ameno, o trocador dentro da sala; tapetinho para as mães sentarem no chão e elas ficarem a vontade.

E o Cine Materna como é, surgiu assim que a gente formalizou as sessões adaptadas e criou-se a ONG. E porque da ONG, é a gente entender que é muito mais do que  “só uma sessão de cinema” – é realmente tirar a mãe de casa, fazer um resgate desse puerpério que pode ser muito pesado para algumas.

E assim, não tem exceção todas passam por uma tempestade. Por mais lisa que seja – tem momentos de angústia, tem momentos que assim três da manhã a pessoa pensa em desistir, logo depois vem a culpa, mas é absolutamente normal. Então é super importante ela vir aqui, conversar com outras mães e se identificar. Conhecer outras formas de maternagem e outras formas até de amamentar.. posturas, outra relação. Ver fases do desenvolvimento do bebê, já que ela vai encontrar com mães e bebês em várias fases.

E também não foi uma coisa planejada, no sentido de “criar um negócio”, foi realmente uma surpresa. Hoje o Cine Materna tem 9 anos, e a gente foi aprendendo o Modelo de Negócios  aos poucos a medida que foi crescendo. As pessoas foram me dando um toque… quando eu disse que voltaria a trabalhar e perguntei quem assumiria as sessões, uma pessoa virou pra mim e disse: “Olha, acho que se você não continuar, vai morrer”. Aquilo me fez pensar e eu pesei um pouco já que exigiria um investimento meu de tempo, um investimento financeiro…

E hoje são 106 sessões por mês em quase 50 cidades no Brasil inteiro. A gente recebe muita gente, temos quase 400 voluntárias. E somos 9 mulheres, mães que trabalham em home office. Cada uma das 9 pessoas faz uma coisa diferente – uma lida com patrocinadores, outra com publico, outra com… e enfim, inclusive para chegar nesse modelo de funcionamento foi uma coisa que fomos testando. Às vezes da certo, às vezes não dá certo. E também temos a vantagem de ser um modelo de negócios pequeno. E a gente consegue ser muito flexível, desde que a gente esteja atenta ao que estar acontecendo.

PN – Pequeno? rs! Achei sensacional que o projeto cresceu para ser o que é hoje! Mas tem muito trabalho nos bastidores né? Todas vocês trabalham em casa, como funciona?

Exatamente. Eu trabalho em home office, assim como as nove pessoas que trabalham na matriz do Cine Materna.

O home office é uma coisa maravilhosa, mas não é pra todo mundo, rs! E tem seus perrengues também. Porque tem que ter uma limitação entre a sua vida profissional e pessoal que está toda misturada na sua casa. Então todos esses desafios a gente vai aprendendo muito aos poucos.

As grandes vantagens são: seu filho está logo ali, no quarto ali do lado. Se ele se machuca você tá perto. Se ele está doente você pode ficar com ele no colo, medir a temperatura.. essa proximidade acho que é muito rica. Mas ao mesmo tempo eu viajo muito, e eles aprenderam a conviver comigo dentro de casa limitando um espaço.

PN – É muito comum as mulheres repensarem sua carreira pós filhos, não é? Como você sente isso? 

Vai muito de mulher pra mulher, obviamente depende muito da sua condição financeira. Mas vejo e acho muito bacana muitas mulheres repensando sua carreira em função da maternidade. Algumas largando por um tempo, outras mudando de emprego, outras empreendendo. Empreender não é fácil, muitas vezes é solitário, algumas não tem o perfil empreendedor – eu por exemplo sou uma que não tinha esse perfil, então me causou muita angústia começar essa inciativa. E por um ano, um ano e meio… quase dois; foi muito angustiante para mim mas eu segui em frente. Os caminhos foram se mostrando acertados. E hoje eu digo, que está muito mais tranquilo. Mas ainda assim, nove anos depois eu não digo que está tudo perfeito – continua tendo desafios.

Mas o que eu vejo assim, para as mulheres é muito importante seguir um pouco seu instinto. Mas óbvio, com pé no chão. Então, eu consigo abrir mão de um emprego que eu tenho para empreender? As vezes a solução não é empreender, é mudar de ramo, é mudar a carga horaria… não existe uma solução mágica. Para a maioria é muito, muito difícil. Até porque não existem empregos mágicos por aí!

Então muitas vezes a gente tem que abrir mão da renda ou de uma coisa ou outra. Na verdade, ter filho já é abrir mão de uma coisa ou outra, não é? rs!

PN – Com certeza!!! Rs!

Irene, agradeço imensamente saber mais sobre ti e sobre o Cine Materna – uma história super bacana e um projeto pra lá de inspirador! <3

 

Para saber mais sobre o CineMaterna:  www.cinematerna.org.br 

 

22 out 17
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