Entrevistas

PN ENTREVISTA: ANA LUDIN

E existe coisas “de menino” e “de menina”? Até que sim! Mas não são exclusivas, viu? Sobre isso e outras cositas más que falei com a Ana, mãe do Rael de dois anos e quatro meses.

Vamos ver?
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Ana, queria saber mais sobre a tua criação com o Rael! Você me conhece e sabe que  não ligo para essa de “coisas de menino” ou “de menina”! Mas, como mãe de menina acredito que sofro menos interferências alheias (rs) do que você, como mãe de menino!

Por isso queria saber:

– Já vi o Rael com carrinho de bonecas ou fazendo comidinhas, como acontece a escolha de brinquedos pra ele?
Sobre a escolha, a gente deixa bem livre. Ele escolhe (apesar de ele não ser muito ligado em brinquedos, o que ele gosta mais é inventar brincadeiras com coisas que não são brinquedos), mas quando eu escolho, eu tento pegar algo que seja bem abrangente que não limite muito a criatividade dele. Então ele tem desde fogão, carrinho de boneca, carrinhos e vários brinquedos que são considerados teoricamente “de menino”. Ele é livre. Ele brinca com o que ele quiser.

Inclusive, quem deu o carrinho de boneca para ele foi minha mãe e ele amou, ele brinca tanto com isso como de super herói, com as bonecas, de neném, de cozinhar…

– Já aconteceu de pessoas de fora falarem algo a respeito disso? Como você lida com isso?

Já aconteceu muuito das pessoas de fora falarem sim! E até dentro da família também. O meu marido é super tranquilo com isso, eles brincam junto tanto de coisas mais radicais como skate e também de casinha. Então com ele não tem problema nenhum.

Mas já tive coisas bem desagradáveis, em lojas por exemplo de ele estar brincando com carrinho de boneca e as pessoas dizerem “Isso é de menina, é rosa!”, “Te endireita! Vai brincar com coisa pra menino” ou “Não pode brincar com coisa rosa”; e o Rael não entende muito mas eu respondo. Eu digo que ele brinca com que ele quiser. Se for brinquedo é para todos, todo mundo pode brincar.

Acontece também de chamarem ele de menina, só porque ele tem o cabelo mais comprido. A gente nunca cortou, na realidade só cortei as pontas uma vez e pretendo deixar crescer até o momento que ele decida que ele quer cortar o cabelo. Acho que não tem porque eu forçar ele a ter uma experiência negativa, simplesmente pra ficar em um padrão, eu acho que não tem necessidade. Se um dia ele vier me pedir pra cortar, eu vou cortar mas por enquanto vai ficar assim.

– Ele é super estiloso! Quem escolhe as roupas dele? Ele tem autonomia para escolher algumas coisas? Como funciona essa questão na casa de vocês?

Obrigada por dizer que ele é estiloso! Tento sempre vestir ele de uma maneira diferente. E assim, nem sempre eu deixo ele escolher tudo, rs! Porque se eu deixar ele sai de roupa curta no frio e essas coisas, por ainda não ter essa noção. Mas às vezes ele sai de galocha em um dia de calor ou com a calça e pijama, porque é de monstro ou de pirata que ele gosta. Até tento convencê-lo algumas vezes, mas se ele faz muita questão eu deixo sem problemas! E tento realmente vestir ele com roupas mais neutras, evito super heróis e carrinhos. Porque de certa forma isso limita os meninos a gostarem só disso!

– Você se inspira em algo (ideologia, corrente filosofica, experiencias de vida.. etc) ou em alguém para aplicar na criação dele?

Bom.. não sou uma expert no assunto mas gosto muito de ler sobre Montessori, que estimula bastante a independência da criança e as decisões sobre o próprio corpo. Por exemplo com essa história do cabelo, eu deixo pra quando ele quiser que corte. Quando eu cortei as pontinhas eu expliquei pra ele o que ele iria fazer, se ele gostaria de cortar o cabelo e ele disse que sim e foi tudo bem.. ficou feliz.


– Dê alguma dica para uma mãe de menino. Algo que você daria para uma amiga muito querida. Pode ser dica de livro, canal do youtube, link de um texto, dica de uma experiência própria… etc! 

A dica que eu tenho para as mães de menino é: vamos deixar eles serem o que eles quiserem, poder chorar, ser sensível, brincar com o que eles quiserem. Acho que as pessoas estimulam tanto os meninos a lutar, brincar de super herói e coisas assim.. sempre esse lado agressivo. E às vezes gostam de uma coisa e não podem admitir ou brincar com aquilo porque é rosa, e ficam presos naquele modelo.

Mas o principal, por um futuro melhor, por mulheres menos sobrecarregadas com as funções que não deveriam ser só delas: Vamos estimular eles a brincarem de casinha, de cuidar de boneca, de cozinhar. Por que no futuro se eles forem pais, serão bem diferentes!

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Ana, só AMEI! <3

Obrigada!

17 ago 17
Entrevistas

PN ENTREVISTA: MARA COIMBRA

Oba! Hoje tem entrevista, adoro esse momento de adentrar um pouquinho nas vivências dos entrevistados!
Hoje, a entrevista é com a Mara mamãe da Olivia e autora do blog Olivia me disse, a Mara é brasileira e mora na Alemanha – como já contei em outro post mesmo sem saber a Mara me ajudou com algumas decisões do meu plano de parto e hoje, pedi para ela falar um pouco e matar a curiosidade de como foi ser gestante e fazer o parto em terras germânicas! Genieß es! 

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1- Como foi fazer o pré-natal na Alemanha?
A gravidez e a maternidade são dois assuntos encarados com muita leveza e naturalidade aqui na Alemanha. E meu pré-natal foi assim também, bem simples. Assim que descobri a gravidez, já recebi meu Mutterpass, que é o passaporte da mãe, onde são anotadas todas as informações sobre o pré-natal e resultados de exames. Devemos ter o Mutterpass sempre na bolsa para, no caso de uma emergência, todo nosso histórico está lá, e assim fica fácil ser atendida por qualquer médico, em qualquer hospital.
O pré-natal pode ser feito com uma hebamme, como são chamadas as doulas aqui, ou com seu médico ginecologista. Eu optei por fazer com meu ginecologista, que sempre me atendeu muito bem e é de minha confiança. O profissional que te acompanha durante a gravidez não é o mesmo que fará seu parto porque parto aqui só fazem as parteiras e os médicos, cesárias. Tive consultas mensais e sempre fazia exame de sangue e de urina no laboratório que tinha dentro do consultório, então os resultados saíam na hora. Geralmente são feitos três ultrassons por mês e a maioria das alemãs optam por descobrir o sexo do bebê só na hora que nascem.
Mesmo com o aparelho 2D de ultrassom do meu médico, eu quis fazer um ultrassom por mês. Aparelhos 3D não são comuns como no Brasil, se fosse minha opção, teria que procurar por um médico que tivesse um. Por causa da má qualidade das imagens, só fiquei sabendo que seria menina depois do sexto mês. Isso não é prioridade para os alemães e meu médico ficava por enteder porque é que eu queria tanto saber o sexo do bebê!
Eu passei muito mal durante os três primeiros meses e por causa disso precisei ir ao médico duas vezes sem marcar consulta. Fui atendida rapidamente, sempre com muita atenção e cuidado. A minha experiência foi muito positiva e comprovei a qualidade do sistema de saúde da Alemanha.

2- A cesárea eletiva é algo que “se escolhe”, como aqui?
Não, definitivamente não! Durante toda minha gravidez e até durante o trabalho de parto, não ouvi uma sequer vez a palavra cesária. O sistema é público, maravilhoso, funciona bem…e o parto é natural. E ponto final. Apesar do índice de cesárias ter aumentado na Alemanha, quase 80% dos partos ainda é normal ou natural. Se você optar por cesária simplesmente porque quer, vai ter que procurar por um médico que aceite seu desejo. E isso não é fácil. A cesária só é feita depois de tentativas e manobras por um parto normal, e quando há risco de vida para mãe e filho.

3-Parto normal, natural, cesárea.. Qual foi sua experiência?
Eu tinha medo de sentir dor e de não aguentar um parto natural. Mesmo escutando da minha mãe e irmã as experiêcias delas com seus partos normais. Passei os nove meses lendo muito e assistindo partos naturais pelo youtube, o que me ajudou a ficar mais tranquila. Ter estado aqui na Alemanha me fez entender a importância de respeitar a nossa natureza, me fez enxergar o quanto é essencial para a mãe e bebê o parto natural. Aí passei a ter medo de ter que fazer uma cesária, passar pela anestesia e pela cirurgia!
A Olivia nasceu onze dias depois da marca prevista pelo médico. Eu não tinha dilatação nem contração. No hospital, me disseram que não era seguro esperar mais do que 42 semanas, mas seu eu quisesse esperar, a escolha era minha. Foi preciso induzir o parto, eu fiquei com medo de esperar. Essa foi a única intervenção médica que tive, depois de três horas do último remédio, as contrações começaram, a bolsa rompeu, e tive um parto natural, sem anestesia. Disseram que tive muita sorte porque Olivia nasceu rapidinho, na terceira força que eu fiz! Fiquei tão feliz de ter dado tudo certo, de poder ter essa experiência tão sonhada!

4- É sabido que as doulas têm a profissão mega respeitada na Alemanha, você teve acompanhamento de alguma?
Tive duas consultas com uma doula durante a gravidez, para conversar sobre o parto, amamentação, sobre a escolha do hospital. Ela também me acompanharia durante as duas primeiras semanas da Olivia em casa, me ajudando com os banhos, com as mamadas, com o que fosse necessário. Mas minha mãe veio do Brasil para me ajudar, então não foi preciso. Isso é tudo coberto pelo plano de saúde, que aqui é obrigatório. Essa doula é você que escolhe, elas tem consultórios ou te atendem em casa se preferir.
Já no hospital, a doula que fará o parto é a que estiver de plantão no dia, você só vai conhecer na hora. Tinha pânico de pensar em conhecer a mulher que faria o parto da Olivia horas antes de acontecer. Mas elas tem essa profissão não é por acaso! São sempre muito carinhosas e atenciosas, te tratam pelo nome e fazem de tudo para que você se sinta confortável e acolhida. Sei e já ouvi casos que não foram bem assim, existem exceções sim, mas a experiência que tive na Klinik Hallerwiese aqui em Nürnberg, foi assim.
Mas, tive uma surpresa minutos antes do nascimento da Olivia. O hospital estava cheio, as doulas todas ocupadas, inclusive a que faria meu parto. Eu estava sozinha com minha mãe na sala de parto, gritando de dor e sentindo que se eu fizesse uma força mínima, nasceria! Era a hora, com certeza! Meu marido que estava do lado de fora, correu para chamar a doula, e então veio uma médica que tinha acabado de fazer uma cesária. E foi ela que fez o parto. Para quem estava com medo de conhecer a doula horas antes do parto, conheci uma médica minutos antes. Ela foi um anjo, me tratou muito bem, era como se nos conhecéssemos há nove meses!

5) Criar a Olivia na Alemanha deve ser diferente, não é? O que você vê de prós da criação ser aí e qual ‘brasilidade” se você pudesse levaria para aí?
Sim, é muito diferente. O povo alemão tem uma cultura muito forte e um jeito de ser bem diferente do nosso. Eles são bem discretos na criação dos filhos, o que tento absorver na criação da Olivia. O que é ser discreto? Basicamente é falar baixo com os filhos, é não dar opinião na decisão alheia e respeitar os direitos do outro. A alimentação é sempre bem saudável, priorizando alimentos orgânicos, que são fáceis de encontrar e não custam muito. Mas o mais importante, é que aqui as crianças são crianças, não são expostas como vejo e já vivenciei no Brasil. As crianças sempre tem contato com a natureza, brincam muito ao ar livre, faça chuva ou faça sol. A segurança aqui é um fator primordial para que isso seja possível, e é, sem clichê, a maior vantagem de criar minha filha aqui.
Eu traria a alegria e a espontaneidade dos brasileiros. Em geral, os europeus são mesmo muito frios e formais, eu não queria que a Olivia crescesse assim.

Não só gostei como aprendi algumas coisas! Mara, obrigada pela participação e por dividir conosco sua experiência!

11 dez 15
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