Entrevistas

PN ENTREVISTA: MARA COIMBRA

Oba! Hoje tem entrevista, adoro esse momento de adentrar um pouquinho nas vivências dos entrevistados!
Hoje, a entrevista é com a Mara mamãe da Olivia e autora do blog Olivia me disse, a Mara é brasileira e mora na Alemanha – como já contei em outro post mesmo sem saber a Mara me ajudou com algumas decisões do meu plano de parto e hoje, pedi para ela falar um pouco e matar a curiosidade de como foi ser gestante e fazer o parto em terras germânicas! Genieß es! 

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1- Como foi fazer o pré-natal na Alemanha?
A gravidez e a maternidade são dois assuntos encarados com muita leveza e naturalidade aqui na Alemanha. E meu pré-natal foi assim também, bem simples. Assim que descobri a gravidez, já recebi meu Mutterpass, que é o passaporte da mãe, onde são anotadas todas as informações sobre o pré-natal e resultados de exames. Devemos ter o Mutterpass sempre na bolsa para, no caso de uma emergência, todo nosso histórico está lá, e assim fica fácil ser atendida por qualquer médico, em qualquer hospital.
O pré-natal pode ser feito com uma hebamme, como são chamadas as doulas aqui, ou com seu médico ginecologista. Eu optei por fazer com meu ginecologista, que sempre me atendeu muito bem e é de minha confiança. O profissional que te acompanha durante a gravidez não é o mesmo que fará seu parto porque parto aqui só fazem as parteiras e os médicos, cesárias. Tive consultas mensais e sempre fazia exame de sangue e de urina no laboratório que tinha dentro do consultório, então os resultados saíam na hora. Geralmente são feitos três ultrassons por mês e a maioria das alemãs optam por descobrir o sexo do bebê só na hora que nascem.
Mesmo com o aparelho 2D de ultrassom do meu médico, eu quis fazer um ultrassom por mês. Aparelhos 3D não são comuns como no Brasil, se fosse minha opção, teria que procurar por um médico que tivesse um. Por causa da má qualidade das imagens, só fiquei sabendo que seria menina depois do sexto mês. Isso não é prioridade para os alemães e meu médico ficava por enteder porque é que eu queria tanto saber o sexo do bebê!
Eu passei muito mal durante os três primeiros meses e por causa disso precisei ir ao médico duas vezes sem marcar consulta. Fui atendida rapidamente, sempre com muita atenção e cuidado. A minha experiência foi muito positiva e comprovei a qualidade do sistema de saúde da Alemanha.

2- A cesárea eletiva é algo que “se escolhe”, como aqui?
Não, definitivamente não! Durante toda minha gravidez e até durante o trabalho de parto, não ouvi uma sequer vez a palavra cesária. O sistema é público, maravilhoso, funciona bem…e o parto é natural. E ponto final. Apesar do índice de cesárias ter aumentado na Alemanha, quase 80% dos partos ainda é normal ou natural. Se você optar por cesária simplesmente porque quer, vai ter que procurar por um médico que aceite seu desejo. E isso não é fácil. A cesária só é feita depois de tentativas e manobras por um parto normal, e quando há risco de vida para mãe e filho.

3-Parto normal, natural, cesárea.. Qual foi sua experiência?
Eu tinha medo de sentir dor e de não aguentar um parto natural. Mesmo escutando da minha mãe e irmã as experiêcias delas com seus partos normais. Passei os nove meses lendo muito e assistindo partos naturais pelo youtube, o que me ajudou a ficar mais tranquila. Ter estado aqui na Alemanha me fez entender a importância de respeitar a nossa natureza, me fez enxergar o quanto é essencial para a mãe e bebê o parto natural. Aí passei a ter medo de ter que fazer uma cesária, passar pela anestesia e pela cirurgia!
A Olivia nasceu onze dias depois da marca prevista pelo médico. Eu não tinha dilatação nem contração. No hospital, me disseram que não era seguro esperar mais do que 42 semanas, mas seu eu quisesse esperar, a escolha era minha. Foi preciso induzir o parto, eu fiquei com medo de esperar. Essa foi a única intervenção médica que tive, depois de três horas do último remédio, as contrações começaram, a bolsa rompeu, e tive um parto natural, sem anestesia. Disseram que tive muita sorte porque Olivia nasceu rapidinho, na terceira força que eu fiz! Fiquei tão feliz de ter dado tudo certo, de poder ter essa experiência tão sonhada!

4- É sabido que as doulas têm a profissão mega respeitada na Alemanha, você teve acompanhamento de alguma?
Tive duas consultas com uma doula durante a gravidez, para conversar sobre o parto, amamentação, sobre a escolha do hospital. Ela também me acompanharia durante as duas primeiras semanas da Olivia em casa, me ajudando com os banhos, com as mamadas, com o que fosse necessário. Mas minha mãe veio do Brasil para me ajudar, então não foi preciso. Isso é tudo coberto pelo plano de saúde, que aqui é obrigatório. Essa doula é você que escolhe, elas tem consultórios ou te atendem em casa se preferir.
Já no hospital, a doula que fará o parto é a que estiver de plantão no dia, você só vai conhecer na hora. Tinha pânico de pensar em conhecer a mulher que faria o parto da Olivia horas antes de acontecer. Mas elas tem essa profissão não é por acaso! São sempre muito carinhosas e atenciosas, te tratam pelo nome e fazem de tudo para que você se sinta confortável e acolhida. Sei e já ouvi casos que não foram bem assim, existem exceções sim, mas a experiência que tive na Klinik Hallerwiese aqui em Nürnberg, foi assim.
Mas, tive uma surpresa minutos antes do nascimento da Olivia. O hospital estava cheio, as doulas todas ocupadas, inclusive a que faria meu parto. Eu estava sozinha com minha mãe na sala de parto, gritando de dor e sentindo que se eu fizesse uma força mínima, nasceria! Era a hora, com certeza! Meu marido que estava do lado de fora, correu para chamar a doula, e então veio uma médica que tinha acabado de fazer uma cesária. E foi ela que fez o parto. Para quem estava com medo de conhecer a doula horas antes do parto, conheci uma médica minutos antes. Ela foi um anjo, me tratou muito bem, era como se nos conhecéssemos há nove meses!

5) Criar a Olivia na Alemanha deve ser diferente, não é? O que você vê de prós da criação ser aí e qual ‘brasilidade” se você pudesse levaria para aí?
Sim, é muito diferente. O povo alemão tem uma cultura muito forte e um jeito de ser bem diferente do nosso. Eles são bem discretos na criação dos filhos, o que tento absorver na criação da Olivia. O que é ser discreto? Basicamente é falar baixo com os filhos, é não dar opinião na decisão alheia e respeitar os direitos do outro. A alimentação é sempre bem saudável, priorizando alimentos orgânicos, que são fáceis de encontrar e não custam muito. Mas o mais importante, é que aqui as crianças são crianças, não são expostas como vejo e já vivenciei no Brasil. As crianças sempre tem contato com a natureza, brincam muito ao ar livre, faça chuva ou faça sol. A segurança aqui é um fator primordial para que isso seja possível, e é, sem clichê, a maior vantagem de criar minha filha aqui.
Eu traria a alegria e a espontaneidade dos brasileiros. Em geral, os europeus são mesmo muito frios e formais, eu não queria que a Olivia crescesse assim.

Não só gostei como aprendi algumas coisas! Mara, obrigada pela participação e por dividir conosco sua experiência!

11 dez 15
Entrevistas

PN ENTREVISTA: JULIANA C. RIESEMBERG

Vamos dar início a uma nova tag por aqui, a de entrevistas! É sabido que tornar-se pai e mãe é um processo sem fim, devido a sua complexidade. Mas, aqui queremos explorar um pouquinho a maternidade e paternidade do ponto de vista dos nossos entrevistados!

Para começar em grande estilo, convidei uma mamãe que gosto muito! Nos conhecemos há muito tempo já que a Juliana é mãe da minha melhor amiga! Responsa ein?
Então vamos lá! A Juli é mãe da Ana Luiza de 26 anos, do Luiz de 20 e recentemente do Heitor de 3! Espero que gostem tanto quanto eu!
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1- Três filhos em épocas tão diferentes da vida! Como foi ser mãe em fases tão diferentes?

Quando tive a Ana, eu tinha só 22 anos. Tive que aprender tudo, aprendi com ela como ser mãe. Primeiro filho é uma escola e é onde você mais erra, claro que tentando acertar sempre! Eu sempre fui muito segura e corajosa, desde o primeiro dia já queria dar banho sozinha, achava que não precisava de ajuda. Tinha muito ciúmes dela. Quando tive o segundo filho, já estava diferente, um pouco mais madura e já sabia como as coisas funcionavam. A Ana já tinha 6 anos, já estava mais independente, sabia pedir as coisas, tomar banho sozinha, comer sozinha… então não foi difícil. E com o Heitor foi uma fase completamente diferente, mais velha e com os dois filhos crescidos. A Ana já estava casada e o Luiz no final da adolescência, já não precisavam mais tanto de mim. Eu estava em êxtase quando ele nasceu, uma alegria inexplicável! Era tão grande que fiquei até com medo no início, medo de que alguma coisa ia dar errado. Mas foi um sentimento passageiro, hoje ele já está com 3 anos, é saudável e feliz. Deu tudo certo!

2- Como é ter filhos de idades tão distantes?

É uma preocupação diferente com cada um. A Ana já está casada e mora longe de mim, então tem a saudade… a preocupação dela precisar de mim e eu não estar por perto. Com o Luiz são as festas, a bebida, dirigir…o primeiro emprego! E com o Heitor a educação, a formação e principalmente, em que mundo ele está crescendo hoje. Não é fácil, filho é preocupação eterna, nos preocupamos com eles até quando eles já são velhos!

3- Como foi a receptividade da família e amigos ao saberem da gravidez do Heitor?

Totalmente surpresa! Pra todo mundo, inclusive pra mim! A reação dos irmãos dele a princípio não foi muito boa, ficaram na defensiva comigo e com o pai. Não sei se foi ciúmes, medo ou preocupação…mas logo passou e todos curtiram muito a gravidez junto comigo. Ficamos todos muito felizes quando descobrimos o sexo! Das outras pessoas eu tive reações de tudo quanto é tipo, alguns ficaram com pena, outros ficaram felizes, ouvimos muito a frase “vocês estão ficando loucos!”. Mas no geral foi mais surpresa mesmo.

4- A gravidez do Heitor mudou o que no seu jeito?

Mudei só um pouco o jeito de pensar e alguns conceitos. Hoje faço algumas coisas que eu achava que não faria, tive que ficar mais moderna, afinal ele está crescendo em um mundo completamente diferente de 20 anos atrás, hoje tem muita informação, muitas coisas novas, doenças que ninguém sabia que existiam antes, por exemplo. Mas apesar disso tudo, a criação que dei para os meus dois filhos mais velhos está sendo a mesma que estou dando pra ele.

5- O que você diria para mães que querem/pensam em ter filhos depois dos 40?

Vá em frente! É uma idade muito boa para se ter filhos. Já temos uma cabeça mais madura, estamos mais seguras, temos mais paciência… e paciência é uma das coisas mais importantes para quem quer ter filho em qualquer idade! Eu estou curtindo muito, cada fase, cada descoberta… é como se fosse a primeira vez!

Adorei! Obrigada Juliana pela participação!

04 nov 15
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