Meu Mundo

WISHING

Algumas gotas de chuva começavam a cair do céu naquele dia quente de verão. As quatro crianças estiradas no meio do asfalto sorriam de canto de boca, o melhor havia por começar. Quase não havia passagem de carros e pessoas naquela rua o que dava às crianças um quintal gigante cheio de possibilidades e a coragem de ficar deitado no meio da rua por longos períodos.

Uma das meninas abriu a boca e pode saborear um pingo d’gua que caíra na ponta do nariz e escorria até a boca. Logo ecoaria pela rua aquela voz tão familiar a chamando para voltar para casa que já estava por anoitecer. Ficou ali deitada como se esse chamado não fosse chegar, podia sentir a chuva que agora caia com força e começava a encharcar seus cabelos que jogados se misturavam com pedrinhas de areia soltas em cima do asfalto, quase uma cama quente envolta ao corpo da menina, enraizada à pedra.

Quando penso na minha infância, penso em momentos assim cheios de camadas de sentido. Penso em risadas, em bicicletas, esconde-esconde, fruta do pé e perna ralada.

Quando penso na infância que minha filha vai ter… não sei, não dá para ter bola de cristal, mas a vontade é que ela viva um pouco isso. Às vezes me pego antecipando muito já que até lá ainda tem muito chão. Antecipo que se hoje os dias são outros e os perigos também, até lá….

Nos vendem a idéia de que o bom é assim: prédio com playground e espaço delimitado. Reclamar do que? De boca cheia?

Não sei, sei que gostaria de ver no futuro dela mais rede e verde, pra variar.

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20 dez 15
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