Pais, Reajo, Logo Existo

COLO NÃO ACOSTUMA

“As mães costumam ser acusadas de “superprotetoras” e seu papel maternal é desmerecido quando têm a coragem de manter o bebê sobre seu corpo. O temor familiar e social pressupõe que o bebê acostumado a permanecer em contato corporal com a mãe não poderá no futuro se acostumar a prescindir do contato físico. (…)

Se o bebê padecer de falta de algo que seja básico dentro do leque de suas necessidades, crescerá reivindicando eternamente aquilo que não obteve. É o que acontece com pessoas que atravessaram a guerra e a fome – a situação real foi modificada, se transformaram em indivíduos ricos e poderosos e mesmo assim, continuam experimentando a sensação primária de fome. Um senhor de 92 anos que passou a guerra no Leste Europeu continua comendo as migalhas que os outros abandonam em seus pratos. 

(…) quando um bebê tem suas necessidades respeitadas, logo cresce e evolui com segurança”.

Textão para abrir a reflexão de hoje!

Ao se tornar mães, as mulheres tem a intuição do que deve ser feito mas, muitas vezes por intervenção social acabam apagando esses instintos e substituindo-os por achismos modernos – seja para corresponder a pressão externa de familiares, seja para negar o luto de uma nova etapa que vivencia.

Assim, nos distanciamos mais e mais da essência materna – que no início do puerpério exige que a mulher volte sua atenção para o filho – mergulhando de cabeça nessa fusão emocional. Pouco se prepara para esse pós-parto, na psicoterapia o fazemos tentando mostrar alguns aspectos que estão por vir e tirando a mulher (por alguns momentos) do estado de contemplação da gestação, a fazendo pensar sobre a maternidade real que virá. Mas ainda assim cada uma terá um caminho individual a percorrer nesse pós, porém quando alguns conceitos já estão sabidos e definidos é mais difícil “fraquejar” diante da palpitação alheia nesse período tão frágil.

Os adultos acabam entendendo crianças como seres de inferiores por ainda não terem modos, comunicação “adequada” e por isso acabam negando-lhes algumas necessidades. “Ninguém pede aquilo que não precisa” – ainda mais um bebê.

Racionalmente as pessoas acabam cometendo pequenas violências negando-lhes o colo e contato físico por motivos irreais: “manha”,  “já comeu”, “a próxima mamada é em tantas horas..” – é como estarmos com sede, pedirmos um copo dǵua a quem alguém do nosso convívio e que temos afeição e a pessoa não nos dar pelo simples fato de acreditar que não precisamos. Pedirmos um abraço em um momento difícil e a pessoa a quem confiamos se recusar.

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Por isso colo não é ruim, pelo contrário: ele acolhe uma necessidade, dá calor, amor, alento! O ideal seria o bebê ter atenção onipresente da mãe ou cuidador até os 11 meses – passando boa parte do seu tempo no colo (inclusive e especialmente durante o sono). Mas esse é um outro capítulo…. :)

27 out 15
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